sexta-feira, 15 de março de 2013

Onde você lê?


Um bom livro, um suco ou café. Uma rede ou sofá. Final de tarde ou inicio da manhã. Ouvindo música, ou ouvindo os pensamentos. Se imaginou em algum lugar assim?
Pois é.
Não é todo mundo que tem um tempo livre para sentar na varanda de casa e ler um livro inteiro sem se preocupar com a vida. A verdade é que as pessoas estão cada vez mais atarefadas e sem tempo para fazer algo como sentar na rede e ler um livro.
Você se encaixa nesse grupo? Eu também. Apesar de não trabalhar fora de casa no momento, o tempo é escasso, e eu divido ele com diversas tarefas. E a leitura só ganha um pedacinho, que é geralmente a noite quando minha filha vai dormir e finalmente eu posso sentar no sofá e ler, ler e dormir com a cara em cima do livro.
Mas não é somente a noite, quando a casa esta silenciosa, que dá para ter uma boa leitura. Alguns dias a trás perguntei no Twitter e Facebook onde as pessoas costumavam ler, e a maioria respondeu ônibus/trem/metrô.

Certas pessoas passam mais de uma hora no ônibus e com certeza ficar na companhia de seus personagens favoritos é uma hora muito bem aproveitada.
Eu sou o tipo de leitora que não se contenta em correr os olhos através das palavras e mergulhar completamente na leitura, ficando quase num estágio de meditação. Ao contrário disso, eu falo com os personagens, gesticulo, reclamo, choro e brigo. Sabe, como a nossa mãe faz quando vê novela (a minha vê novela) e fala com a televisão. O último livro que li no ônibus (Immortales da Roxane Norris – já fiz resenha aqui) chorei e me descabelei num capítulo. Todos pararam para olhar minha reação.

Alguns mitos referente a leitura noturna, leitura no ônibus entre outras já foram esclarecidas.
Principalmente aquela famosa regrinha de não poder ler no ônibus porque faz mal para vista ou causa descolamento de retina. Eu fui atrás da opinião de quem entende do assunto e encontrei essa nota de um oftalmologista:
“O máximo que a pessoa pode ter é enjoo e dor de cabeça com leitura no trânsito. O risco de descolamento de retina de quem está lendo é o mesmo de quem não está. Pode acontecer caso ocorra uma freada brusca e se a pessoa tiver uma lesão predisponente”
André Souza Soares Maia – site Unimed RJ
Também há aquele probleminha com a leitura em computador, tablets e celulares. Vista cansada, olhos avermelhados, dores no pescoço., dor de cabeça. Alguém já sentiu? Talvez seja a hora de procurar a ajuda de um especialista :D

segunda-feira, 4 de março de 2013

(Poesia) Prego de Preguiça


Prego de Preguiça

Prega a peça, prega o que?
Prego a paz não sei de quê.
Prego o prego na parede.
Prego a paz na minha rede.

Pegue o barco sem a vela.
Pague o preço da tabela.

Perco a hora e perco o dia.
Perco em peso hora e dia.

Pinto o pássaro da janela.
Rezo um pai, sem mãe, sem ela.

Pago um pato ou dois sem saber.
O pato que foge pra viver.
Ponho a mão na cintura.
Finjo zanga e perco a postura.

Passo o dia no jardim.
Sem os amigos, só para mim.
Perto ou longe, sem demora.
Prego o prego da gaiola.
Na parede bem rachada.
Sem prego de aço, sem ouro, sem nada.

O periquito não ficou.
Fugiu, voou e não voltou.
Prender não dá, melhor soltar.
Melhor deixar pra lá.

Pregou a tela na varanda.
Sofria tanto, se chorar reclama.
Um nó na rede ajudou.
Deitou ali e cochilou.
Pegou no sono, e nem notou.

Brigada forte, era o que havia.
Dia e noite,
Noite e dia.
Perdeu no grito, o grito dela.
Saiu batendo as panelas.

Passou ao lado de uma rosa.
Pisou,
Que medo! Minha nossa!

Perdido e solto, sem destino.
Calado e triste, como um menino.
Pedindo ajuda, sem falar nada.
Sofrendo horrores naquela praça.

Pintou a boca com tinta azul.
Parecendo um pato de bico nobre.
Perdido ou achado, ninguém notou.
Voltou pra casa do jeito que a deixou.

Pregado e triste, caiu no chão.
Com frio, com fome e sem proteção.

De dia acordou, como um prego torto levantou.
Passou pra dentro da casa.
Pousando de graça.
Sem passo, sem pata.
Sem tempo e sem raça.

Pregado só por essa noite.
Pregando o dia, pregando a noite.

Pintou bem cedo com aquarela.
Um prego prata na janela.
Brincou então de pique esconde.
Perdeu-se lá, não sei aonde.


(Milla Felacio - postado também no Nyah Fanfiction)