segunda-feira, 4 de março de 2013

(Poesia) Prego de Preguiça


Prego de Preguiça

Prega a peça, prega o que?
Prego a paz não sei de quê.
Prego o prego na parede.
Prego a paz na minha rede.

Pegue o barco sem a vela.
Pague o preço da tabela.

Perco a hora e perco o dia.
Perco em peso hora e dia.

Pinto o pássaro da janela.
Rezo um pai, sem mãe, sem ela.

Pago um pato ou dois sem saber.
O pato que foge pra viver.
Ponho a mão na cintura.
Finjo zanga e perco a postura.

Passo o dia no jardim.
Sem os amigos, só para mim.
Perto ou longe, sem demora.
Prego o prego da gaiola.
Na parede bem rachada.
Sem prego de aço, sem ouro, sem nada.

O periquito não ficou.
Fugiu, voou e não voltou.
Prender não dá, melhor soltar.
Melhor deixar pra lá.

Pregou a tela na varanda.
Sofria tanto, se chorar reclama.
Um nó na rede ajudou.
Deitou ali e cochilou.
Pegou no sono, e nem notou.

Brigada forte, era o que havia.
Dia e noite,
Noite e dia.
Perdeu no grito, o grito dela.
Saiu batendo as panelas.

Passou ao lado de uma rosa.
Pisou,
Que medo! Minha nossa!

Perdido e solto, sem destino.
Calado e triste, como um menino.
Pedindo ajuda, sem falar nada.
Sofrendo horrores naquela praça.

Pintou a boca com tinta azul.
Parecendo um pato de bico nobre.
Perdido ou achado, ninguém notou.
Voltou pra casa do jeito que a deixou.

Pregado e triste, caiu no chão.
Com frio, com fome e sem proteção.

De dia acordou, como um prego torto levantou.
Passou pra dentro da casa.
Pousando de graça.
Sem passo, sem pata.
Sem tempo e sem raça.

Pregado só por essa noite.
Pregando o dia, pregando a noite.

Pintou bem cedo com aquarela.
Um prego prata na janela.
Brincou então de pique esconde.
Perdeu-se lá, não sei aonde.


(Milla Felacio - postado também no Nyah Fanfiction)

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